Oposição cautelosa sobre impeachment




Dilma Rousseff tem uma trajetória de vida marcante. E, ao afirmar isso, não faço juízo de valor a respeito de suas opções políticas. Analiso, sim, a mulher, não a presidente da República. No futuro, um bom livro vai ser escrito sobre as memórias da petista. Resta saber o desfecho da narrativa. Dois mandatos que, a despeito de momentos de instabilidade, revigoraram o país? Ou a tendência mais palpável dos últimos meses: a queda por impeachment?


A oposição ao PT, oficialmente liderada pelos correligionários do PSDB, é cautelosa sobre o tema. Semanas atrás, em palestra na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, o senador José Serra (PSDB-SP) afirmou que “impeachment não é programa de governo de ninguém”. O discurso do parlamentar, entretanto, atribuiu a responsabilidade pela crise à presidente. “Não dá para fazer de conta que o Brasil está sem problemas”, disse. Recentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso opinou de forma semelhante, declarando que ainda faltariam aspectos jurídicos para uma decisão de tal magnitude.

Destarte, o PSDB reelegeu seu presidente. Suponho que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteja em contagem regressiva para 2018. Na primeira entrevista após a reeleição, ele cometeu uma gafe: "fui reeleito presidente da República". O Planalto, portanto, aparenta ser uma obsessão, mas pelas vias naturais, isto é, eleitorais. O tucano evita falar do impeachment, embora admita que o agravamento da crise possa tornar insustentável a situação de Dilma.

A presidente, por sua vez, mostrou-se tranquila em entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo’. Ela descartou a possibilidade de renunciar ao cargo e classificou a oposição que pede seu afastamento como "um tanto golpista". Tendo em vista o posicionamento cuidadoso do PSDB, resta saber que oposição ela critica. Na mesma entrevista, Dilma nega rivalidade com o PMDB, embora o Congresso, nas figuras de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL) escancare outra versão.

O jogo político brasileiro é curioso: parece que todos querem a queda de Dilma, mas ninguém se atreve a assumir a criança. A verdade é outra: pelas beiradas, há um conluio de partidos arquitetando o impeachment. A convicção é de que o PT chegou ao fundo do posso. Não apresenta unanimidade nem entre os seus. Desse modo, a situação do país não tende a melhorar. Com ou sem Dilma, que os próximos capítulos dessa história sejam benéficos ao povo, pois está difícil viver no Brasil.

Por Gabriel Bocorny Guidotti
Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo
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