'Mortes no CEM foi algo imprevisto', declarou governador Wellington Dias

Governador do Piauí falou sobre mortes no Centro Educacional Masculino (Foto: Catarina Costa/G1)

Ele associou duplo homicídio a um desentendimento entre os adolescentes. Governador prometeu criação de unidades para descentralizar ações.

O governador Wellington Dias declarou nesta terça-feira (22) que o  duplo homicídio registrado no Centro Educacional Masculino (CEM) foi um fato imprevisto e impossível de ser evitado. Ao G1, ele associou as mortes a um desentendimento entre os próprios adolescentes e prometeu adotar novas medidas.

No sábado (19), dois adolescentes de 17 anos foram mortos dentro dos alojamentos da unidade onde cumpriam medida socioeducativa. Os suspeitos do crime dividiam o mesmo espaço com as vítimas e usaram vergalhões retirados das paredes para confeccionar instrumento semelhante a espeto, usado no assassinato.

"Ao contrário do que aconteceu no caso da morte do Gleison Vieira, onde comprovamos falha humana e por isto afastamos a direção, desta vez, as regras foram cumpridas e mesmo assim não foi possível evitar novas mortes no CEM. É lamentável que isso tenha acontecido e nos remete a adotar novas medidas", comentou.

Questionado sobre os problemas de superlotação e falta de estrutura na unidade, Wellington Dias disse que participou de uma reunião na segunda-feira (21) com o secretário de Assistência Social e Cidadania, Henrique Rebelo e que a pauta principal do encontro foi a melhoria no sistema para ressocialização dos adolescentes.

"Além da ampliação do CEM que já foi autorizada, queremos criar novas unidades socioeducativas em todas as regiões do estado e descentralizadas do Centro Educacional Masculino. Este assunto estou discutindo com o Ministério do Desenvolvimento Social", comentou Wellington Dias.

Ministério Público cobrou melhorias no Centro Educacional Masculino (Foto: Divulgação/OAB-PI)

Local inadequado
O juiz Antônio Lopes, da 2ª Vara da Infância e Juventude em Teresina, voltou a fazer duras críticas ao Centro Educacional Masculino (CEM) e comparou o local a um “chiqueiro de porcos” ao falar das condições insalubres do centro. A declaração veio à tona após o duplo homicídio contra adolescentes dentro da unidade.

“Os adolescentes são jogados no CEM como porcos. Aquilo é um chiqueiro de porcos”, falou. A defensora pública Allyne Patrício, que fez a defesa dos três adolescentes suspeitos de espancar até a morte o jovem Gleison Vieira da Silva, delator do estupro coletivo em Castelo do Piauí, concorda com o juiz e disse que irá ingressar com uma ação civil pública pedindo providências e, se necessário, a interdição da unidade.

“Além da estrutura precária, tem também a questão da superlotação. O Centro tem capacidade para receber 60 adolescentes, mas atualmente mantém 93 internos. São vários pontos que não estão sendo cumpridos e enquanto não mudar esses fatos, eles vão continuar acontecendo”, falou a defensora.

A Secretaria da Assistência Social e Cidadania disse que todas as medidas necessárias exigidas pela justiça para melhorar o CEM estão sendo tomadas, como a aquisição e distribuição de colchões para todos adolescentes, a reativação das atividades de lazer e o início de cursos profissionalizantes.

Na próxima sexta-feira (25), uma reunião entre o MP, Sasc, Defensoria e Justiça será realizada para que a secretaria apresente prazo para cumprir as medidas já exigidas pela Justiça, sendo uma delas a reforma imediata do CEM.

Fonte: G1
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