A história de um povo se faz com sua juventude viva e valorizada!!!

O que é que estão fazendo com nossa juventude? Nem os Governos, nem a sociedade ouvem as vozes angustiadas dos jovens perdidos nas madrugadas... não ouvem seus gemidos, não sentem suas dores. Que história é essa de prosperidade se Parnaíba cuida mal ou mata os seus jovens?

Enquanto escrevo, vidas se perdem ainda na mais tenra idade. Drogas, prostituição e violência fazem parte do cotidiano de milhares de jovens pela cidade. A organização criminosa do tráfico nos desafia e está deformando até as nossas crianças, que iniciam cada vez mais cedo neste submundo! A droga espalha-se e não há um serviço de acolhimento, de apoio e de orientação para os dependentes químicos e familiares.

O CAPS-AD é uma das políticas do Ministério da Saúde que trabalha com redução de danos, importante estratégia, mas que sofre pela pouca atenção que a municipalidade dá ao programa. Os profissionais que ali se esmeram são responsáveis e extrapolam as suas próprias condições.

Vivemos uma guerra e estamos perdendo-a. Isso é o resultado da inércia da sociedade e do desprezo dos gestores públicos. É doloroso andar pelas ruas de Parnaíba, especialmente pela periferia e constatar uma imensa quantidade de jovens entregues à alegria fácil... Alucinados, desesperados, andando pelo meio da rua, a qualquer hora do dia ou da noite, agonizando e gemendo na busca por algo que nem eles mesmos sabem o que é. Quantos talentos perdidos?! Quanta dor e lágrima para as famílias...

As prisões estão abarrotadas de jovens transgressores. A cada dia vemos crescer em nossa cidade as estatísticas de meninos envolvidos em situações de violência. Mas eles são “vilões” ou “vítimas”? Em boa medida são, sim, vítimas, pois há décadas o poder público priva a maior parte da população do acesso à saúde, educação, cultura, saneamento básico e outros itens fundamentais à formação de um cidadão de excelência. Noções de valores como respeito, educação, cordialidade, entre outras, há muito tempo foram esquecidas ou menosprezadas. Quanto se aplica do orçamento de Parnaíba em programas para a juventude?

Basear o julgamento sobre a violência cometida por jovens no que ocorre atualmente em Parnaíba é, no mínimo, simplista de nossa parte e acaba eximindo a todos de uma ação realmente eficaz para a mudança de nossa realidade. A realidade é que a cidade foi segmentada entre os que têm e os que não têm direito a componentes fundamentais para um desenvolvimento pleno e sadio. Parnaíba foi dividida entre os que podem tudo e os que não podem nada. Uma parte da cidade usufrui do bom e do melhor e uma grande maioria fica com o que sobra. Esquecemos que a parte excluída socioeconomicamente cresce e, mesmo sem uma educação de qualidade, começa a ter noções do que ocorre no resto do mundo graças à globalização e a difusão das informações. Os jovens, em especial, querem essas coisas também. E, se não podem tê-las pelas maneiras tradicionais, o fazem de alguma outra forma, mesmo que seja pela transgressão legal.

Se ao jovem falta oportunidade, situação mais grave enfrenta o jovem pobre e preto. Para quem nasceu e vive em total insegurança, em locais onde a criminalidade impera; quem não teve uma educação formal razoável e sem uma estrutura psicológica e familiar sólida; quem tem de esperar horas para ter acesso a tratamento médico e é humilhado por atendentes, seguranças e enfermeiros, no limite de suas condições humanas por causa do estresse, entre outras diversas questões, é difícil tomar a decisão mais correta e as escolhas feitas nem sempre são as melhores.

No exercício do mandato, em 2009, apresentei com o vereador Cardoso Projeto de Lei que cria o Conselho Municipal da Juventude. Foi sancionado pelo Executivo na época. Deve estar jogado n’alguma gaveta pela prefeitura. A ideia era traçar um programa para a juventude, com a juventude. Não floresceu!

A Prefeitura de Parnaíba não tem um programa voltado ao jovem que lhe permita a integração através de políticas públicas e de diálogo. É fato! Uma gestão responsável abre canais de comunicação com a sua juventude. Destaque apenas para o Programa “Pró Estágio”, uma boa iniciativa que contribui com a inserção dos adolescentes e jovens no mercado de trabalho. Está atendendo 100 (cem) jovens no ano de 2015. Porém não deve ser entendido como resposta à ausência de uma política pública planejada para a nossa juventude. Os nossos gestores, encantados e iludidos pelas suas observações superficiais, pelas suas experiências frívolas, se esquecem de consultar a voz dos próprios jovens, o que eles sonham, o que eles querem para a sua vida! A administração municipal acostumada a ler histórias escritas em miniatura, vê tudo pequeno. Ela imagina que uma ação descontextualizada vai atender à demanda da juventude, e que se constitui n’uma obra que contempla toda a inércia. Em onze anos à frente dos destinos da Parnaíba eles nunca se preocuparam em saber se a Providência, o Destino e a Vontade do jovem entram nessas coisas.

A necessidade de dar voz e vez ao jovem e interpretar o que a juventude quer é um desafio e como seus resultados não são perceptíveis a olho nu, nem pode se fincar uma placa de publicidade, pouco se faz nessa perspectiva. Cuidar da juventude é um projeto de transformação. Não é uma obra material. Talvez aqui resida a resposta ao descaso e à falta de compromisso com a juventude parnaibana!!!

Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.
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