Major Adriano Lucena, comandante do 2º BPM, concede entrevista à Revista Circulando. Confira!


44 anos, filho de pai maranhense e mãe cearense, nascido em Teresina, numa família que lhe ofereceu educação tradicional, estrutura e o apoio necessário, tanto psicológico como alimentar. E assim ingressou na PM em 1991 através de concurso. Fez o curso de oficiais em fortaleza, concluiu em 1993, e no ano seguinte, fez sua aspiração em Parnaíba, (primeiro contato com a cidade).
Ao longo da carreira seguiu várias áreas do serviço militar, sempre voltado para a área de operações e educação. Seu perfil é de buscar ser um educador na PM. Fez diversos cursos durante sua formação como militar: formado em Administração pela UESPI por entender que seria o curso que abriria suas possibilidades para o ingresso na gestão da PM: Cursou a pilotagem de helicóptero e exerceu a atividade na PM até 2005.

“De lá para cá tenho procurado ocupar meu espaço na polícia, trabalhar muito, ser um gestor adequado agora ao chegar no posto de major. ” Reflete no alto desses anos todos como policial militar. 

Muito embora o policial seja um operador do direito, o Major Lucena sempre procurou melhorar sua capacidade de gestão. Já exerceu funções de comando em outros batalhões, como o 1º BPM, Relações públicas da PM (2015), Batalhão de PRE, até ser convidado pelo Comandante Geral, para assumir o comando do 2º BMP aqui em Parnaíba, que segundo ele mesmo, aceitou de bom grado e como um desafio edificante, que é trabalhar a segurança pública da cidade, tendo recebido um legado muito positivo dos comandantes anteriores, e desse legado é que se permitiu implementar muitas das operações que a PM faz hoje.

Primeira vez em 94 e agora retorna 21 anos depois. O que mudou?

Em 1994, Parnaíba tinha muitas características de cidade interiorana, era menor, população menor, não havia se estabelecido algum grau de violência. Não havia a droga inserida nesse processo como elemento catalizador da violência, e a grande diferença que a gente encontra hoje é que Parnaíba cresceu, e assim, adquiriu muitas características de cidade grande, não perdeu totalmente seu cotidiano de cidade de interior, mas não temo como não dizer que ela não cresceu como cidade.  Veio sim muitas coisas positivas, mas também se desenvolveu essa área negativa da cidade grande que é esse tráfico de drogas que está inserido e que tem fomentado a grande maioria da violência praticada em Parnaíba, e quando a gente fala em violência, falamos em toda a sorte; é o menor que rouba um celular, é um adulto que furta ou rouba uma motocicleta e no meio desses acontecimentos, o fator preponderante ou motivador é o tráfico de drogas.  A cidade continua maravilhosa, a população de Parnaíba ainda continua com o mesmo conceito que tinha quando cheguei aqui em 94; uma população ordeira, educada, pacífica, em outras cidades você não encontra esse tipo de comportamento. O cidadão parnaibano é um cidadão pacífico, dócil, que gosta daquilo que é organizado,  é um cidadão que não gosta de bagunça, gosta da cidade limpa, mas não só limpa por ações estatais, de governo de município, ela é limpa porque o cidadão parnaibano é cuidadoso, não obstante se ter algum ponto ou outro que necessite de uma maior atenção, mas essa característica do parnaibano ela é muito positiva até para nós que trabalhamos com segurança pública, é uma característica ordeira, é uma característica de comportamento positivo, quando você chega e explica que não pode, que não deve a população aceita, se submete a legislação, se submete a lei, e procura se comportar de forma adequada.

Como o Senhor mesmo enfatizou, drogas e roubos de motos são frequentes. Quais ações estão sendo tomadas para diminuírem essas ações?

Nós iniciamos o trabalho de prevenção no mês de junho e colocamos e planejamos a operação “Parnaíba Segura”. O mote dessa operação é primeiro: colocar mais polícia na rua, em mais pontos da cidade, objetivando com isso não deixar espaço para que o bandido, para que o criminoso pratique o seu crime, então ela começa com blitz no início da noite e continua durante a madrugada fazendo as saturações nos bairros à noite durante a semana e finais de semana. Durante o dia nós implementamos uma operação chamada de “Start”. Ela acontece pela manhã e tarde com o efetivo regular que está à disposição da sociedade e aí, nós temos um oficial de serviços e temos todo os recursos do batalhão, fazendo operações de abordagem durante a manhã e tarde, e não podíamos esquecer também dos municípios do entorno de Parnaíba, que fazem parte da responsabilidade do batalhão que são na verdade 9 municípios; Parnaíba e mais 8.
Lá nós desencadeamos a operação “vigilare” que são guarnições bem treinadas, bem armadas, utilizando nossos armamentos mais potentes. Então eles saem de Parnaíba e vão patrulhar noturnamente essas cidades e a gente tem um patrulhamento diurno, patrulhamento noturno e um patrulhamento noturno no entorno da cidade, e agora estamos implementando nessas cidades operações diurnas com os efetivos dessas cidades, e isso já tem trazido efeitos; o marginal, o criminoso que estava praticando crimes em Parnaíba ele tem mudado seu “modus operandi” e a gente tem seguido esse comportamento dele.  Não temos conseguido evitar e nem temos essa ideia ilusória que poderemos evitar 100% de todos os crimes. Os roubos de motocicletas estão acontecendo sim, mas de um mês para o outro os números estão diminuindo, até a forma de roubar motocicletas eles já modificaram, antes chegava alguém em outra motocicleta e tomava a moto do cidadão, já observamos que agora eles vão de carro, porque chama menos atenção, porque estávamos abordando muitas motocicletas.  Tivemos uma ocorrência aqui, que por informações da vítima, que os assaltantes chegaram de carro, e dentro do carro havia uma mulher e uma criança, para tentar ludibriar a fiscalização, mas nós estamos atentos a esse modo, esse comportamento do criminoso, de como ele está agindo e estamos sempre tentando estar a um passo à frente ou nos adaptando a modificação do comportamento do criminoso na prática do crime. A gente muda o horário da passagem de serviço. Hoje não temos mais esse horário fixo, quem define isso é o oficial de serviço, ele que vai dizer a hora que vai sair e a hora que vai chegar, com isso nós paramos aquele momento em que se fragilizava o policiamento da cidade.

Temos a operação “vigilare” que tem por objetivo patrulhar todo o entorno, e trabalhamos hoje a passagem de serviço, antes nós tínhamos essa fragilidade. O serviço era de 12h, daí chegava aquele momento que os policiais iriam trocar de turno e a cidade ficava desguarnecida, e o criminoso aproveitava aquele momento para praticar o crime, nós acabamos com isso aí, nós minimizamos esse risco. De que forma? Modificando esses horários da passagem de serviço, não há mais um horário fixo, o oficial CPU ou CPA, que é quem faz essa gerência da passagem de serviço, então você não tem mais aquele momento que a cidade fica descoberta, nós temos patrulhamento 24 horas na cidade de Parnaíba, as viaturas estarão na rua, você não vai ligar pro 190 para acionar uma viatura que está no quartel, ele vai acionar uma viatura que já está em algum bairro, em algum ponto. Temos pontos estratégicos, de guarda ou de patrulhamento, mas esses locais, esses pontos, são baseados hoje em estatística. É baseado nas informações que coletamos. Nós não colocamos uma viatura num ponto tal ou uma motocicleta num ponto tal, porque achamos bonito ou porque alguém pediu, nós colocamos lá porque nós vimos dentro da necessidade, das ocorrências que estão tendo que a presença policial naquele local  vai minimizar os riscos, um exemplo bem recente disso é a praça Mandu Ladino e a Avenida São Sebastião, tivemos ocorrências sérias lá, ocorrências que trouxeram intranquilidades, mas nós estamos trabalhando nesses dois pontos, sem desguarnecer ou outros pontos que já estamos monitorando. Nós precisamos recuperar a sensação de segurança desses locais, as pessoas têm que ir para a praça Mandu Ladino hoje para fazer sua caminhada bem, para a Avenida São Sebastião também poder fazer sua caminhada, as pessoas têm que ir pra feirinha, para comprar a fruta, o legume, dentro de uma tranquilidade, então a gente trabalha exatamente dessa forma, onde o povo está. Buscando com os recursos que temos, que são poucos, e que todo serviço público hoje tem essa carência, eu desconheço alguma instituição pública que esteja ótima tanto de recursos humanos quanto de materiais, e vem essa nossa necessidade de ter criatividade e cuidado, zelo com o uso daquilo que a gente tem para oferecer a comunidade, sem esquecer da preocupação com o público interno, por que eu tenho que ter nosso policial bem adestrado, bem treinado, motivado, de certa forma, capaz de responder racionalmente diante da ocorrência, e pra isso que eu também preciso cuidar do meu público interno, não posso me preocupar em oferecer um serviço de qualidade sem cuidar da qualidade do meu policial, é um sistema, eu só posso oferecer, aquilo que eu tenho.

Com relação aos acidentes de trânsito? Isso virou uma epidemia em Parnaíba...

Na semana que chegamos aqui, teve um acidente horrível na Avenida São Sebastião, uma colisão com um veículo parado, quando o condutor do outro veículo dormiu. Então, um dos efeitos da operação Parnaíba segura foi conseguir reduzir o número de acidentes nos horários já identificados. Finais de semana praticamente já não tem mais acidente em Parnaíba, e nós zeramos no mês de julho, os acidentes com vítimas fatais na cidade de Parnaíba. E em que momento os acidentes passaram a ter maior frequência? Manhã e tarde, acidentes que envolvem carros de passeio e motocicletas em alguns pontos específicos da cidade. Isso está presente em nossos relatórios e esses pontos com esses acidentes. Gentilmente também nos foi cedido pelo SAMU, o relatório dos atendimentos de acidentes, e isso tudo nós vamos usar para trabalhar em cima desses números e desses locais, trabalhando em parcerias como a Guarda Municipal. Um trabalho de abordagem, de fiscalização, porque não se engane, o cidadão. O adulto, no trânsito, ele só se comporta se houver fiscalização, falar em educação de transito eu tenho que falar primeiro na formação do condutor, na formação do cidadão. Mas o adulto, isso uma opinião particular minha, ele só segue a regra de trânsito tendo uma fiscalização e, infelizmente não há como não estar presente no comportamento do cidadão, o poder público pode fazer o que fizer, em termos de fiscalização, aumentar regras, multas, mas se não houver uma participação clara do cidadão no respeito ao regulamento de trânsito, às regras de circulação a gente vai perder essa batalha. É preciso que nós enquanto poder público estejamos nas ruas, oferecendo segurança na via, mas é preciso também que o cidadão respeite o regulamento de trânsito.

Qual o maior problema da segurança pública em Parnaíba?

O nosso maior problema é o efetivo, que é um problema no estado inteiro. Nós temos muito trabalho, e temos um efetivo que precisa ser reposto. Nós temos estratégia aqui em Parnaíba, nós temos atualmente um efetivo que consegue desenvolver essa estratégia. Nós temos resultados a apresentar, nós temos disposição e motivação em trabalhar, mas é preciso que se renove a curto e médio espaço de tempo esse efetivo da polícia militar, para que continue a desenvolver novas estratégias, ocupando mais o espaço, enquanto estado, enquanto órgão da segurança pública, enquanto mantenedor da paz social, para que a gente continue nesse melhorar de serviço público de segurança pública, para a sociedade parnaibana.

Que recado o senhor gostaria de passar ao cidadão parnaibano?

A população parnaibana pode esperar do 2º Batalhão de Polícia Militar do Estado do Piauí, deste oficial, Major Lucena, o maior empenho, a maior atenção, o maior carinho para com toda a cidade, com todos os níveis de trabalho e de problemas que a cidade possa ter. Nós trabalhamos com segurança pública, trabalhamos com ordem pública, então esse serviço pertence à sociedade e é feito em prol da sociedade, não é uma ordem pública para não permitir que haja este ou aquele comportamento, pelo contrário, é um trabalho voltado para que as pessoas possam exercitar seus direitos de ir e vir, direito a lazer, direito a ter sua propriedade privada, de ter o seu bem pessoal, de poder ir trabalhar, de ir se divertir, de poder ficar na porta de casa, ou seja é um trabalho que visa exatamente deixar as pessoas dentro de uma tranquilidade, para que ela possa desenvolver as suas atividades. A mensagem que eu deixo para a sociedade parnaibana é uma mensagem de muito trabalho, agradecimento e satisfação de estar aqui desenvolvendo esse trabalho de segurança pública no meio de uma comunidade tão ordeira, tão pacata e tão sensível como tenho percebido que é a sociedade parnaibana.

Revista Circulando - 5ª Edição
Entrevista: Bruno Santana
Major Adriano Lucena, comandante do 2º BPM, concede entrevista à Revista Circulando. Confira! Major Adriano Lucena, comandante do 2º BPM, concede entrevista à Revista Circulando. Confira! Reviewed by Redação on 12:50 Rating: 5

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