Meio século: qual o significado e a utilidade da nossa vida?! (*)

Neste primeiro dia de novembro do ano em curso completo meio século de vida! Uma glória está gozando de saúde e com o patrimônio familiar e de amizade que construí ao longo desta jornada. É hora de agradecer, sim, sou grato ao Grande Arquiteto do Universo pela dádiva de ter experimentado a convivência com tantas pessoas de bem. Por certo minha gratidão se assenta por ter recebido mais que mereço na vida!

Em especial aos meus familiares e amigos. Guardo no mais recôndito abrigo, o peito, os doces momentos que compartilhei com todos vocês. Juntos: amamos, sorrimos e choramos. Aprendi muito neste breve, mais importante tempo de convivência, por isso é que sou eternamente grato a todos, indistintamente!

Hoje posso dizer que sou melhor que antes, melhor na acepção do termo enquanto pessoa. Hoje, sou mais gente! Vocês não me deixaram perder o encanto que sempre pulsou em meu peito. É verdade que nos últimos anos, o brilho nos olhos andou sem a mesma intensidade d’antes, força de um sistema cruel e implacável que imprime um estilo de vida baseado numa organização social deprimente, quase sempre vencendo o sonho de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna.

Mas nem por isso perdemos a esperança! Este é o ponto em que a vida, na minha concepção, cumpre o seu papel e passa a ter sentido: permite-nos acreditar! Acreditar nos sonhos, acreditar nas pessoas, acreditar que somos capazes de construir um mundo melhor a partir de uma mudança pessoal e interior. Afinal, o mundo é o que somos!

Hoje, também detenho mais conhecimento, graças ao convívio com vocês, uma verdade que serve para todos nós. Aqui, na Parnaíba, meu maior ganho foi ampliar o quadro de amigos que fiz em Campo Maior e São Raimundo Nonato, minhas moradas anteriores. Meus amigos me regozijam nesse momento de felicidade, na certeza de um breve reencontro. Muitos me foram úteis e tenho a consciência de também ter sido útil a alguém. Mas, como diz o Pe. Fábio de Melo “A utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele”. E é por isso que envelhecer é esse tempo em que a utilidade passa e aí fica só o seu significado como pessoa. A experiência de vida nos purifica. É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?

No fechar do ciclo nós vamos tornar-nos inúteis. É a lei da vida. Do pó ao pó. E aí só vai ficar até o fim com a gente, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso peçamos a Deus para poder envelhecermos ao lado das pessoas que nos amam. Aquelas pessoas que possam nos proporcionar a tranqüilidade de sermos inúteis, mas ao mesmo tempo, sem perdermos o valor.

Depois da nossa utilidade descobre-se o nosso significado... Daí a razão que deve nos levar a refletir o que estamos construindo aqui, nesta passagem? Por saber que não temos todo o tempo do mundo e por querer aproveitar esse precioso tempo é que corremos atrás dos nossos objetivos. Por isso nos entristecemos muito quando um erro nos coloca mais distantes de um sonho ou de alguém. Há coisas que realmente não voltam mais. Nosso tempo é limitado e curto, embora nunca seja tarde para se começar algo ou recomeçar.

Nesse contexto não é a morte que importa porque é um fato, o que importa é o que eu fazemos da nossa vida enquanto a morte não acontece pra que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena. No dia que eu me for e eu me vou, eu que quero fazer falta. Como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella “Fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante. Há uma diferença entre ser famoso e importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante”. Para ser importante nós precisamos ter uma vida que não seja pequena. E uma vida se torna pequena quando é apoiada em si mesmo, fechada em si. Nós devemos transbordar, ir além da nossa borda. Precisamos nos juntar, nos repartir. Transformar a nossa vida, que sem dúvida é curta, para que ela não seja pequena!

Importante, portanto, criarmos raízes com tudo àquilo que não faz parte do mundo das ilusões, mas da vida real. Com valores que nunca poderão retirar de nós, pelo simples fato de não fazerem parte deste planeta, mas sim, da nossa essência: a informação adquirida, o aprendizado realizado, o amor praticado, o caráter desenvolvido. Estes atributos formam o nosso espírito e nossa consciência, que levaremos para onde possamos existir além daqui. Estes, quando desenvolvidos, trazem a verdadeira felicidade.

Neste dia e sempre vamos nos permitir amar, perdoar, sorrir, chorar, inventar e aproveitar, ficar perto de quem amamos. Fazer algo de bom para as pessoas, porque quando tudo isso acabar e nós nos formos, o que ficará será apenas o que representamos e a importância que tivemos na vida de cada uma delas e para o mundo, as nossas ações. Que os grisalhos e o retrovisor me sirvam para guiar os passos doravante!!!

 (*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.
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